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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Kriek: A Cerveja de Cereja

A adição de frutas em cervejas é algo totalmente atípico no mundo dos fermentados. 

Aqui mesmo no Brasil temos o chope de banana, uma invenção tropical comercializada no bar carioca Banana Jack, localizado em Ipanema, Rio de Janeiro.

Agora, se você procura tradição entre as cervejas de frutas, sem dúvida a Bélgica é a melhor fonte, especificamente Bruxelas com sua deliciosa Kriek (pronuncia-se “criqui”).

Em sua fabricação são adicionadas cerejas frescas, que produzem uma fermentação ácida na cerveja já pronta. Então, a fruta se dissolve na cerveja, e a levedura remanescente transforma a frutose em álcool.

O processo revela certa simbiose com a vinificação, sendo assim, o resultado é de uma cerveja mais próxima do vinho, envelhecida em tonéis de carvalho, escura e saborosa. Entre as mais apreciadas estão a Cantillon Kriek, a Timmermans Kriek, a Kriek Boon, a Hanssens Kriek, a 3 Fonteinen e a Belle-Vue Kriek.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cervejas Trapistas

Fabricada por religiosos da Ordem da Trapa (La Trappe foi fundada em 1140, na França), as cervejas dos monastérios trapistas trazem autenticidade artesanal com ares do período medieval.

A qualidade não é o único atributo das cervejas trapistas, já que a diversidade é outra grande característica, destacando a Orval (de coloração clara e aroma de laranja), a Westmalle Tripel (mais clara e com sabor encorpado), e a Westmalle Dubbel (de cor caramelo com riqueza de malte).

A paixão dos monges com a bebida fermentada solidificou-se há muito tempo atrás, graças a um posicionamento do vaticano que substituiu boa parte da demanda do vinho pela cerveja, uma vez que a primeira opção se tornou cara para suprir a constante sede dos clérigos católicos.

Apesar de existirem 171 monastérios trapistas no mundo, apenas sete estão autorizados na produção das cervejas de alta fermentação, sendo seis localizados na Bélgica e um na Holanda (Koningshoeven, fundado em 1884).

Bendito é o avanço das importações, pois atualmente, podemos apreciá-las aqui mesmo no Brasil, haja vista que muitos supermercados e empórios a comercializam em várias versões (La Trappe Blond, La Trappe Dubbel, La Trappe Tripel, La Trappe Quadrupel, La Trappe Bock e La Trappe Witte).

Infelizmente há um pequeno detalhe, preparem o bolso, porque elas não são baratas.

sábado, 23 de abril de 2011

23 de Abril: Dia da Cerveja Alemã

Lastimável falar desta celebração e não estar novamente na Alemanha para "bebemorar" essa data que tanto me agrada. 

No dia 23 de abril de 1516 fora assinada a Lei da Pureza pelo duque Wilhelm IV (Guilherme IV), da Baviera, a fim de garantir a qualidade deste ícone gastronômico alemão. 

Mas foi só a partir de 1995 que a Associação Alemã de Fabricantes de Cerveja elegeu essa data como feriado não oficial, no qual muitas cervejarias realizam o "Dia das Portas Abertas", com degustações, inaugurações de Biergarten (jardins de cerveja) e a abertura dos primeiros barris da Maibock. Para quem não sabe, os Biergarten são espaços abertos destinado ao consumo de cervejas, os quais são anexos a bares e restaurantes.

Você sabia que em média cada alemão consome durante o ano 138 litros de cerveja? Com essa demanda não me espanta saber que há cerca de 1.200 cervejarias no país, empregando aproximadamente 65.000 trabalhadores. 

Brindemos ao Dia da Cerveja Alemã! Prost!
Para finalizar (ainda sóbrio), a referida comemoração tem uma sucinta prece que diz: “Hopfen und Malz, Gott erhalt’s” (Lúpulo e malte, Deus conserve). 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Cerveja: O Pão Líquido

A cerveja é bebida alcoólica fermentada mais consumida no planeta, resultado da combinação básica de 91% de água, 4% álcool (variável de um tipo a outro), 0.60% de CO2 (gás carbônico), 4,4% de cereal maltado (geralmente a cevada) e lúpulo

O álcool e o gás carbônico surgem através do processo natural de fermentação, sendo o último, responsável pela formação da espuma e contribuição na estabilidade do sabor característico da cerveja, além de ser o conservante in natura da bebida.

Quanto a sua origem, há muita especulação, muitos mencionam o Egito Antigo como berço da cerveja, todavia, alguns historiadores atribuem ao povo sumério à devida autoria da bebida. Um importante registro histórico que fundamenta essa crença é o Código de Hamurabi (1793-1759 a.C.), que previa punição aos taberneiros desonestos no período.


Outro documento de suma importância para alicerçar o passado da cerveja é uma epopeia babilônica, chamada Gilgamesh, na qual mostra Enkidu, um simiesco, meio animal, meio homem, que pastava nas estepes junto as gazelas, escolhido para tornar-se o serviçal do rei, cujo nome ilustra este poema:
Enkidu não sabia comer pão
Nem sabia beber cerveja.
Então, a rapariga abriu a boca
E disse para Enkidu:
“Come o pão, Enkidu, pois ele é vida,
E bebe cerveja, como é costume no país”.
Enkidu comeu pão até se fartar
E bebeu cerveja, sete jarras cheias.
Então, sua alma se desanuviou
E seu coração exultou,
Seu rosto resplandeceu e ele ficou alegre,
Lavou seu corpo hirsuto
E untou-se com óleo
E tornou-se humano.

A grande verdade é que a cerveja provavelmente surgiu juntamente com a agricultura, cerca de 10 mil anos antes de Cristo, numa região do Oriente que se inicia no Delta do Nilo até a bacia do do rio Tigre, passando na metade do percurso por Israel e Líbano.

Posteriormente a cerveja foi abraçada por outras culturas, como a grega, a hispânica e a germânica, chegando ao nosso País apenas no século XVII, trazida por holandeses que desembarcaram no Nordeste brasileiro. 

Séculos se passaram e Blumenau tornou-se a capital da cerveja no Brasil e, depois de Munique, é o palco que realiza a segunda maior Oktoberfest do mundo. 

Bom, por enquanto vou pontuar aqui a jornada deste fermentado alcoólico. Espero tê-los entretido com a matéria inaugural da seção Cervejaria do blog, já que em breve escreverei outros assuntos do fabuloso universo do "pão líquido" que tanto nos agrada.
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