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"Sem comer e sem beber ninguém se cobre de glória" (provérbio viking).

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terça-feira, 5 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte III

Kabbalah: Altamente fundamentada na numerologia
Para os astecas o número nove representava os estágios para se alcançar a plenitude da alma, geralmente figurado pela imagem de um templo com nove andares.

Como todos já sabem, tal expressão numérica se reflete no tempo de gestação humana, mas também vem com o simbolismo de ser o poder triplo do três, como as tríades das nove ordens de anjos.

Na cultura chinesa o número nove representa sorte, uma vez que é a quantia de esferas celestiais. Já para os nativos norte-americanos o nove se traduz na lua, mudanças e movimento.

Distante das salas de aula, o numero dez é pouco mencionado, contudo, sua maior visibilidade se deu com a representação do poder divino e seus ditames celestiais na cultura judaico-cristã, Os Dez Mandamentos de Deus. Para os nativos norte-americanos tal número representa o intelecto. Aquém desta escopo espiritual, a iconografia do número dez vem figurar no número de mandamentos dos escoteiros e dos ensinamentos de Maquiavel.

O número doze é sem dúvida intrigante, pois represente a realização universal, o número das tribos de Israel, o número de discípulos de Cristo, o número de frutos da Árvore da Vida, os Doze Trabalhos de Hércules (Herácles), e o número de constelações ou signos do Zodíaco.

Não podemos nos esquecer que o doze é o número de meses do ano, algo que representa o ciclo cronológico completo, mas também pode nos deixar um pouco aterrorizados, já que 2012 pode ser o fim da humanidade segundo o calendário maia.


Em regra geral o treze não é visto com bons olhos, pois é associado como um número de azar, seja pelo número de participantes da Última Ceia (um deles era o traidor Judas Escariotes), pela data da perseguição dos Cavaleiros Templários (sexta-feira, 13 de outubro de 1307) ou pelos treze espíritos do mal segundo a Kabbalah. Na Grécia Antiga o número treze representava a décima terceira deidade ou simplesmente Zeus. Trata-se também do número mais importante na antiga astronomia mexicana, bem como representa a figura da Mulher Formosa para os nativos norte-americanos.

Espero que tenham gostado desta matéria dividida em três postagens, acredito que por mais que conheçamos muitas coisas, sempre há espaço para se aprender mais. Crendices ou não, devemos respeitar a numerologia, pois não se pode negar que está inserida em quase tudo que vemos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte II

Difusor do pentagrama: O ocultista inglês Aleister Crowley
Macrologicamente falando, não se pode negar a vasta influência da numerologia na cultura humana, seja cético ou devoto religioso, há qualquer momento você poderá ser envolvido por ela. Exemplificando isto, vemos o universo artístico e o campo publicitário como grandes fomentadores da mítica dos números, mesmo que algumas vezes com adereços subliminares, buscam sucesso através de combinações favoráveis.

A partir do número cinco o misticismo da numerologia começa a ganhar proporções ainda maiores, já que a quinta posição numérica representa as cinco dimensões do universo, o emblema da realeza maçônica, a deusa assíria Ishtar, a deusa grega Vênus, além de formar o maior símbolo do ocultismo e da crença Wicca, o pentagrama (ou a Estrela de Cinco Pontas). Nas culturas hindu e chinesa, tal ícone vem representar os cinco elementos da natureza (água, fogo, terra, ar e o espaço celeste). Para Pitágoras o cinco é o número da humanidade, uma vez que exprime o corpo humano com seus quatro membros e cabeça (cinco dedos), além dos cinco sentidos (tato, audição, olfato, visão e paladar). No entretenimento o número cinco definiu Os Irmãos Marx (Groucho, Gummo, Harpo, Chico e Zeppo) e os companheiros felinos do Manda-Chuva (Xuxu, Bacana, Batatinha, Espeto e Gênio).


O número seis pode ser demasiadamente controverso em significado, pois, tanto pode ser representado pela harmônica Estrela de Davi (Estrela de Seis Pontas ou Hexágono) como pode ser associado ao número da besta no Livro de Apocalipse, o infame 666. Para os chineses a expressão numérica vem definir o poder celestial e a longevidade, mas entre os nativos norte-americanos está relacionado aos ancestrais. Já a crença budista revela que o universo está cartografado em seis reinos de existência, enquanto a parapsicologia cita a existência de um sexto sentido.

O sete é disparado o número com maior significado místico e divino, não só por ser considerado a representação numérica de Deus, mas também pelas seguintes iconografias: Os sete pecados capitais,  as sete virtudes celestiais, os sete principais chakras do corpo humano, os setes planetas da antiguidade (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), os sete galhos da árvore cósmica xamânica, os sete céus e os sete infernos do islamismo, os sete sábios da Grécia Antiga (Sólon, Pítaco, Quílon, Tales de Mileto, Cleóbulo, Bias e Periandro), os sete deuses de luz e os sete deuses das trevas do Egito Antigo, as sete cores do arco-íris, o Ano-Novo judaico começa no sétimo mês, e por quantas vezes devemos perdoar o próximo no Novo Testamento (70x7).

O oito quase converge para um significado comum entre crenças e filosofias, pois é o número do equilíbrio cósmico e consequentemente da causa e efeito. A quantidade de aros que formam a roda da vida (dharmachakra) no budismo e as pétalas da flor de lótus, ambas codificadas pelo número oito, mostram os caminhos para perfeição espiritual. Vale lembrar que na crença hindu a deidade Vishnu possui oito braços que correspondem aos oito guardiões do espaço, enquanto o número oito deitado representa o infinito. Há ainda a estrela de oito pontas (a Estrela de Ishtar), utilizada como guia entre babilônicos e fenícios.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte I


A Estrela de Davi ou Estrela de Seis Pontas: Emblema do judaísmo

Gerar argumentos acerca da simbologia dos números na sociedade humana é de longe uma tarefa complexa, que exigiria linhas e mais linhas, sem previsão de esgotamento do tema em questão.

Os números não são meramente uma iconografia para a matemática ou geometria, pois estão intrinsecamente ligados com princípios cósmicos e religiosos, ditando ordem a um universo aparentemente dominado pelo caos.

Pitágoras (569-475 a.C.) já dizia que os números governam todas as coisas, algo que pode ser ratificado com a ciência moderna, contudo, não obstante, há a numerologia dos antepassados, regada a muito misticismo e com possíveis explicações para nossas indagações filosóficas.

Bom, se você já leu esta singela introdução, com certeza ficou na expectativa pela associação cultural dos principais números da história humana (de zero a treze), todavia, para a matéria não ficar excessivamente morosa e longa, a dividirei em três postagens.

O zero representa o número neófito na geometria, já que nem no Antigo Egito havia hieróglifo correspondente.

Para os babilônicos, o zero era o espaço em branco no infinito onde todas as coisas se formavam ou retornavam, um conceito similar a cultura maia, simbolizado pela espiral, que se traduzia na vida uterina.

O número zero pode ser atribuído a potencialidade completa, bem como ao fracasso absoluto.


Para Pitágoras, o número um representava o princípio masculino, possivelmente por aparentar um falo ereto, uma relação um pouco divergente das crenças monoteístas, que atribuíam a imagem de Deus ao símbolo.

Em regra geral, na sociedade humana, o número um vem classificar a importância de um individuo, seja como primogênito ou como campeão de uma competição. Trata-se também do ícone da unificação, que se traduz em juntar forças para um interesse em comum: "Sejamos um nessa empreitada" ou "Um por todos e todos por um".

O símbolo da dualidade entre bem e mal, bom e ruim, herói e vilão, luz e trevas, homem e mulher, espírito e matéria, criador e criatura, falso e verdadeiro, beleza e feiura, amor e ódio, ordem e caos.

O número dois é sem dúvida o alicerce de toda a numerologia chinesa, já que na crença taoísta, o “yin e yang” representa a polaridade que orquestra o universo.

Segundo Pitágoras tal número vem representar o princípio feminino.

Quando se menciona o número três, em primeiro momento nossa mente nos traz a imagem dos Três Reis Magos, dos Três Mosqueteiros, dos Três Porquinhos ou dos Três Patetas, entretanto, tal símbolo, representa muito mais que tudo isso, pois expressa os aspectos da vida, como: passado, presente e futuro; mente, corpo e alma; nascimento, vida e morte; e as três formas de amar no grego (eros, filéo e ágape). Na crença judaico-cristã o número três representa a santíssima trindade (Elohim): Deus-Pai, Deus-Filho e Espírito Santo. Obviamente a forma do triângulo está conectada ao número três.

O número quatro é abundante em ícones, tendo como principais os pontos cardinais, as fases da lua, os elementos da natureza, as estações do ano, o quadrado, a base piramidal e a cruz.

No cristianismo o número quatro revela um presságio punitivo com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Peste, Guerra, Fome e Morte).

Para o Islamismo tal número está relacionado a matéria, enquanto para os nativos norte-americanos representa a harmonia.



Aguardem a próxima postagem, pois mostrarei alguns significados para os números cinco, seis, sete e oito.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Gato Felix: De tirinha a ícone clubber

Em 1919 surgia o primeiro astro dos desenhos animados, o Gato Felix (Felix The Cat). Criado pelo norte-americano Otto Messmer (1892-1983) com a co-autoria do australiano Pat Sullivan (1885-1933), o felino ainda sem sua bolsa mágica, estrelou inicialmente nas animações Feline Follies e Musical Mews, todavia com um nome diferente, Master Tom.

O sucesso rendeu a aparição em uma nova produção no mesmo ano, Adventures of Felix, desta vez com o nome definitivo que lhe trouxe a fama. Felix figurou em 150 curtas-metragens antes do advento do som nas animações.

Posteriormente, a King Features promoveu as tiras do Gato Felix em mais de 250 jornais por todo o mundo, entretanto, foi através da ajuda de um jovem cartunista chamado Joe Oriolo que o felino adquiriu nova aparência, sua tão conhecida bolsa mágica, seus amigos e rivais malucos, como o sinistro Professor, o nerd Poindexter, o esquimó Vavoom e Rock Botton.

Otto Messmer, o verdadeiro criador do Gato Felix 
Atualmente o Gato Felix tornou-se badalado entre os clubbers, um ícone da moda alternativa, que emprestou seu estilo vintage e sua cor monocromática para coleções de roupas, acessórios e até tatuagens. Lembro-me que há alguns anos atrás a grife brasileira Triton lançou uma bela coleção temática do Gato Felix, inclusive com direito a uma réplica da bolsa mágica. Cheguei a ter uma blusa desta coleção, mas logo em poucos meses de namoro, minha namorada Vivi a confiscou.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Escadas Para o Céu

Seria uma abordagem metafórica para ilustrar uma alegoria humana ou realmente há veracidade quanto a descrição do caminho para os portões celestiais, se estes de fato existirem?

Em épocas remotas acreditava-se que os céus podiam ser alcançados por intermédio de uma estrada em espiral que se findava a um circulo de escadas. Tal conceito pode ser vislumbrado nas pinceladas da magnífica obra "Escada de Jacó" (Jacob's Ladder) de William Blake, criada no século XVIII sob inspiração da passagem bíblica em que Jacó adormece e sonha com uma escada ligando a terra e o céu (Gênesis 28:10-13).

Para os seguidores da teoria dos Astronautas do Passado, a crença judaico-cristã vem revelar um possível contato alienígena, em que a figura da escada, é nada mais do que uma rampa de acesso de uma nave interplanetária. Segundo os teóricos, Jacó descreveu de maneira fantástica algo que não poderia explicar por sua limitação tecnológica vivenciada naquele período histórico.

Na mitologia nórdica tal via de acesso é chamada de Bifröst, um mítico caminho que liga Midgård (terra dos homens) a Asgård (terra dos deuses).

A grande verdade é que o homem, com sua incapacidade biológica e questionamento no pós-vida, sonha em subir aos céus para desvendar os mistérios que o cercam. A escada visivelmente é o símbolo entre o mundano e o etéreo, o elo entre o homem e o Criador.

Nem mesmo o velho e bom rock'n'roll setentista se isentou de explorar esta temática espiritual, conforme podemos apreciar na mais icônica balada do hard rock, "Starway To Heaven", da banda Led Zeppelin.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Le Trompe-L'Oeil: A Arte da Ilusão

O termo "Trompe-l'oeil" (tromper: enganar; l'oeil: o olho) é uma expressão francesa relativamente moderna (oriunda do período barroco), criada para definir uma técnica artística secular, que tem por objetivo, iludir os olhos de quem a observa.

A arte da ilusão de ótica só ganhou realismo com o domínio da perspectiva e do sombreamento durante a Renascença, mas com o passar dos anos, representar o espaço tridimensional em uma superfície plana tornou-se cada vez mais cultuado entre os diferentes estilos artísticos da história humana: romantismo, realismo, impressionismo, surrealismo, hiper-realismo e arte urbana.

Bom, chega de introdução e vamos para a melhor parte, que é vislumbrar algumas obras contemporâneas desta arte tão enganadora e perfeccionista.

Não tenho como expor todas as maravilhas da moderna Trompe-l'oeil, pois há muito material produzido ao longo de 20 anos, contudo, deixo alguns nomes para seu deleite e pesquisa posterior.
The Crevasse: Obra de Edgard Müller (Irlanda, 2008)
The Canyon: Obra de Kurt Wenner (Chicago, 2011)
Three Worlds: Obra de Julian Beever (inspirada em M.C. Escher)
Siete Punto Uno: Obra de John Pugh (Los Gatos, Califórnia, 2002)
Festival Gastronômico de Bolzano: Obra de Manfred Stader (Itália, 2011))
Crazy River: Obra de Julian Beever
Disaster: Obra de Kurt Wenner (Londres, Inglaterra)
Misterios de la Forma: Obra de Eduardo Relero (2009)
Hortelano: Obra de Eduardo Relero (Murcia, 2010)

terça-feira, 24 de abril de 2012

Frases & Pensamentos Filosóficos

Seria a filosofia fruto do brilhantismo ou oriunda dos devaneios de um excêntrico pensador em seu momento ocioso? Bom, realmente não sei qual sua ideia a respeito do tema, mas sem dúvida a filosofia nasce da indagação do homem ante os mistérios da vida e do universo.

Mesmo sem obter respostas incisivas, a filosofia em si tem o papel de questionar visões e modelos convencionais, fazendo surgir novas perspectivas para velhas perguntas que elucubramos há milênios: “O que somos?”, “Para onde vamos?”, ”Qual nosso propósito aqui?”.

Pesquisei superficialmente algumas frases e pensamentos de grandes representantes do questionamento filosófico, e, como um pródigo discípulo do tema, gostaria de compartilhá-las com os amigos da Taverna do Peregrino.

“Penso, logo existo.” (Descartes)
“Só sei que nada sei.” (Sócrates)
“Tudo é conhecido, não conforme si mesmo, mas de acordo com a capacidade do conhecedor.” (Boécio)
“Se queres prever o futuro, estudas o passado.” (Confúcio)
“Conhecer os outros é inteligência; conhecer a si mesmo é a verdadeira sabedoria.” (Lao-Tsé)
“Muitas coisas impedem o conhecimento, incluindo a obscuridade do tema e a brevidade da vida humana.” (Protágoras)
“O início do pensamento está no desacordo – não apenas com os outros, mas também conosco.” (Eric Hoffer)
“Fiquei magoado, não por me teres mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te.” (Nietzsche)
“O que chamamos de aprendizado é só um processo de reminiscência.” (Platão)
“Tudo é composto de água.” (Tales de Mileto)
“Morri como mineral e tornei-me planta, morri como planta e renasci como animal, morri como animal e fui Homem.” (Jalal ad-Din Rumi)
“O caminho acima e o caminho abaixo são um só e o mesmo.” (Heráclito)
“O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado.” (Jean-Jacques Rousseau)
“O ceticismo é o primeiro passo em direção à verdade.” (Denis Diderot)
“A razão é imortal, todo o resto é mortal.” (Pitágoras)
“Toda ação deve-se a uma ou outra das sete causas: acaso, natureza, compulsão, hábito, raciocínio, ira ou apetite.” (Aristóteles)
“A mente é tudo. O que você pensa, você se torna.” (Sidarta Gautama)
“Não existe nada na mente que já não tenha passado pelos sentidos.” (John Locke)
“O que tornou Adão capaz de obedecer as ordens de Deus também o tornou capaz de pecar.” (Santo Agostinho)
“A superstição deixa o mundo inteiro em chamas, a filosofia as extingue.” (Voltaire)
“Em nossos raciocínios a respeito dos fatos, existem todos os graus imagináveis de certeza. Um homem sábio, portanto, ajusta sua crença à evidência.” (David Hume)
“Não há nada bom ou ruim, mas pensar torna-o assim.” (William Shakespeare)
“A razão humana é atormentada por questões que não pode rejeitar, mas também não pode resolver.” (Immanuel Kant)
As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias de sua classe dominante.” (Karl Marx)
"Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão." (Jesus Cristo)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sabe Com Quem Você Está Falando?

Nem sempre a maneira polida de se dirigir à uma pessoa ou autoridade pode ser a mais correta. Pensando nisto, pesquisei as classes mais participativas na sociedade para trazer aos amigos da Taverna do Peregrino, seus respectivos tratamentos. Arrogância? Por favor, não me chame de "você", sou doutor e fiz por merecer!

Alteza ou Sereníssimo Senhor (Príncipes e Duques)
Dom ou "Dominus" (Nobres, Abades, Beneditinos, Trapistas e Chefes da Máfia Italiana)
Doutor "por Excelência" (Advogados)
Doutor (Médicos ou Acadêmicos que concluíram o doutorado)
Excelência (Presidentes, Senadores e Autoridades de Estado)
Excelência Reverendíssima (Arcebispos e Bispos)
Eminência (Cardeal)
Majestade (Reis e Imperadores)
Meritíssimo (Juízes)
Magnificência (Reitores)
Magnífico Reitor (Reitores de Universidade)
Paternidade (Abades e Superiores de Convento)
Reverendíssimo (Padre)
Santidade ou Santíssimo Padre (Papa)
Senhoria (demais autoridades)
Sua (empregado quando nos referimos à pessoa)
Vossa (empregado quando nos dirigimos à pessoa)

domingo, 15 de abril de 2012

Vida Cigana

Acampamento de Ciganos por Van Gogh
Desprovidos de pátria e nômades por natureza, os ciganos peregrinam o mundo guardando os mistérios que ecoam de um éon fantasioso.

Trata-se de uma sociedade essencialmente errante, algumas vezes motivada pela diáspora, dando vazão a uma cultura ágrafa, herdada pelo sangue e transmitida oralmente por seus antepassados. 

Separados em três grupos distintos: Romany ou Roma (descendentes de uma antiga classe de guerreiros do Norte da Índia), Calon ou Calé (oriundos da Espanha) e Sinti ou Sinto (oriundos da Europa Central, principalmente da Alemanha), tornaram-se conhecidos por suas indumentárias coloridas com ricos adornos em ouro, por seu misticismo (em grande parte devido à quiromancia) e pelo profundo conhecimento de ervas e plantas medicinais. O curanderismo com ervas é tão levado a sério pelos ciganos, que o cigano curandeiro recebe o nome de Drabengro, enquanto a cigana curandeira recebe o nome de Drabarni.

Para o Gadje (como é chamado o não-cigano), a cozinha cigana reflete o ambiente de um tradicional acampamento, onde se prepara o alimento no fulgor das labaredas de uma fogueira.

A gastronomia cigana é delineada por ingredientes nativos a geografia que a acolheu, mas com presença obrigatória do agridoce, pois o mel e as frutas fazem a vez em diversos pratos, como o Pan de Higos (Bolo de Figos Secos) e a Cazuela de Salmón (Guisado de Salmão).

Lembro-me de um adágio cigano ligado a gastronomia que diz: "Kon khai but, khal peski bakht" (Ele que come muito, come a sua própria sorte)

Como em toda cultura, os ciganos celebram datas que consideram essenciais para preservação de sua identidade, a citar a Patshiv ou La Vierge Noire (A Virgem Negra), comemorada em 24 de Maio por Romas, Sintis e Manouches franceses.

igana do filme "Arrasta-me para o Inferno (Drag Me To Hell)"
Há também a celebração natalina para alguns ciganos, a qual deu origem a outra citação, desta vez de propagação do perdão: "Roma penge tele muken. Roma, kaj save te ulahas rushte, pre Karachonya penge odmuken u aven pale lachhe." (Romas perdoem. Romas, apesar de serem os piores inimigos, perdoem e reconciliem-se durante o Natal.). Pelo jeito o maior grupo da sociedade cigana é conhecido por guardar extremo rancor. Será que daí surgiu a visão hollywoodiana da praga cigana? Eu heim...

domingo, 1 de abril de 2012

1º de Abril: Como Nasceu o Dia da Mentira

Pinocchio: Clássica animação da Disney
Não se deixe enganar pela imagem do Pinóquio nesta postagem, o Dia da Mentira (também chamado de Le Poisson d'Avril ou April Fool's Day) não teve qualquer origem nos encantos de uma varinha de condão, apesar da fábula ser fascinante e a data ser cercada de explicações, tudo leva a crer que a brincadeira surgiu na França do século XVI.

O curioso é que neste período, o Ano Novo conforme conhecemos era festejado em 25 de março, data que marcava a chegada da primavera. A celebração durava uma semana e findava-se em 1º de abril.

Em 1564, após a adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX promulgou em lei que o Ano Novo deveria ser comemorado em 1º de janeiro, algo que causou enorme desconforto em muitos franceses.

Alguns quiseram manter a tradição, só que de uma forma gozadora, enviando presentes esquisitos e convites para festas que não existiam aos conservadores e bajuladores do monarca. E ainda tem pessoas que encaram a data como sendo de origem demoníaca ou malévola, mas como podemos observar, tudo não passou de uma bela pregação de peças, e isto, não é mentira.

terça-feira, 27 de março de 2012

O Circo no Brasil

O Circo (Aécio)
Não existe algo tão lúdico e mágico que a fantasia infantil de uma vida errante no circo. 

A gigante tenda listrada em cores distintas; o cheiro de palha misturado com maçã do amor e pipoca salgada; e a pitoresca música entoada pelo rufar dos tambores, anunciam que o picadeiro aguarda seu público, com fabulosos espetáculos que tanto nos fazem sonhar.  

Segundo a história conta, o circo apareceu no Egito Antigo com as primeiras exposições de animais exóticos capturados nas incursões militares em terras estrangeiras. Aprimorou-se no bulício do Império Romano, tornando-se itinerante nas caravanas ciganas pela Europa.

The Circus Horse (Marc Chagall)
No Brasil, o surgimento do primeiro circo deu-se apenas em 1830, cuja administração ficou por conta da família Bragassi. Posteriormente outras famílias montariam novas companhias circenses que iriam percorrer nosso País afora.

Em 1874, no Circo Elias de Castro apresentava-se o primeiro palhaço brasileiro, José Manoel Ferreira da Silva, conhecido como Polydoro.

E por falar nesse personagem de cara pintada e roupa engraçada, não poderia deixar de fora o mais famoso, o palhaço Arrelia. Waldemar Seyssel (1905-2005) nasceu no Paraná, era advogado de formação e com carreira de malabarista iniciada no Circo Casali. Em 1922 a profissão como palhaço se concretizaria e a partir de 1953 assumiria por 20 anos o programa televisivo “Cirquinho do Arrelia”.

Em 10 de dezembro comemora-se o Dia do Palhaço
De igual modo, outro palhaço de grande renome nacional, pioneiro na televisão (1950), foi o fluminense George Savalla Gomes, o Carequinha, que curiosamente nasceu em pleno picadeiro, já que sua mãe, uma trapezista, sentiu o parto no meio da apresentação. Muitos devem se lembrar da celebre brincadeira cantarolada por ele: “Hoje tem marmelada? Tem sim, senhor! Hoje tem goiabada? Tem sim, senhor! E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A Origem do Sistema Monetário

Desde que a moeda e a cédula de dinheiro foram concebidas pelo homem, sentimentos como avareza, cobiça, ganância e inveja, tornaram-se ainda mais latentes na história humana, atributos que serviram de indumentária para o capitalismo moderno.

Basta lembrar do comportamento de um famoso personagem da Disney chamado Tio Patinhas, para logo o associarmos com a degradação humana ante o fascínio pelo dinheiro. A história nos mostra que Jesus Cristo fora traído por um mundano punhado de moedas de prata, que piratas abordavam as naus em busca das famigeradas e cobiçadas pilhagens, enquanto que, por séculos, banqueiros e políticos enriqueceram através do dinheiro alheio. Mas afinal, como tudo isso começou ou melhor dizendo, quando foi que nos perdemos para Mamon?

Cobiça: Mario Bros literalmente entra pelo cano por algumas moedas
Nos primórdios da civilização o escambo era a única “moeda corrente” no mundo, mas quando os homens passaram a viver em sociedade, a troca de mercadorias deu lugar para rudimentares métodos de tradução monetária, dentre esses o sal, o açúcar, o algodão, o fumo, as conchas marinhas, os pedaços de bambu, os tijolos e até os dentes de cachorro.

Na Roma Antiga, o sal tinha considerável importância econômica, tanto que os soldados eram pagos com a referida iguaria, que por eles denominava-se salarium, daí a origem da palavra salário que usamos até hoje. A primeira cunhagem de moeda que se tem documentado aconteceu há 2 mil anos, num pequeno país da Ásia Menor chamado Lídia. Com a ausência da Internet banda larga, a notícia se espalhou vagarosamente, então, ao longo de séculos, outros países copiaram e aperfeiçoaram o sistema.

Pirâmide com olho: Obra das sociedades secretas ou satanismo?
No século VII a.C., a ilha grega de Egina tornou-se vanguardista na criação da primeira moeda de prata de valor e peso definidos, já que antes era tudo muito grosseiro e desmedido. Já o primeiro homem a ter sua efígie (rosto) gravada em uma moda, foi Alexandre, o Grande (336 e 326 a.C.), no ano 330 a.C. Enquanto isso, a China dava os primeiros passos rumo a primeira cédula de dinheiro.

Os desenhos impressos nas faces das moedas em geral representavam a autoridade governamental, mas também podiam levar signos iconográficos de uma cultura, tais como as moedas gaulesas, com árvores, cavalos e porcos

No Brasil, as moedas surgiram no reinado de Dom Pedro II como cópia do sistema monetário de Portugal: ouro (dobrão), prata (patacas) e bronze (vintém). E por falar nisso, tivemos tantas moedas diferentes que muitos nem se lembram mais, contudo, para finalizar esta "econômica" postagem, eis os nomes de cada uma com suas respectivas datas de circulação: Real (até 1942), Cruzeiro (1942-1967), Cruzeiro Novo (1967-1970), Cruzeiro (1970-1986), Cruzado (1986-1989), Cruzado Novo (1989-1990), Cruzeiro (1990-1993), Cruzeiro Real (1993-1994) e o Real (1994 até hoje). Para quem não se recorda, o Plano Cruzado do Sr. José Sarney foi um dos piores momentos vivenciados pela sociedade brasileira, graças a uma inflação estratosférica aliada às gigantescas despesas na máquina pública.

segunda-feira, 5 de março de 2012

A Origem do Hambúrguer


Veganos à parte, é difícil encontrar alguém que não goste desses pequenos bifes redondos feitos de carne moída (geralmente bovina), com cerca de 1 cm de altura, temperados com sal, pimenta e algumas vezes com ervas aromáticas, alho e cebola desidratada. É tradicionalmente utilizado em sanduíches, mas também apreciado no prato, acompanhado de bacon, queijo, ovos, batatas fritas e salada.

Poucos sabem que sua origem remete ao conquistador Genghis Khan (1167-1227), o grande imperador do povo mongol. Informações históricas descrevem que o hambúrguer surgiu pela simples necessidade de permanência dos cavaleiros mongóis em suas montarias. As intensas guerras que perduravam por anos, resultaram numa forma de alimentação rápida, a fim de evitar acampamentos desnecessários no calor da batalha. A melhor alternativa foi colocar pedaços de carne sob as selas, permitindo que mesmo em cavalgada, os guerreiros pudessem se alimentar. Em 1238, com a invasão mongol a Moscou liderada pelo neto do famoso conquistador, Khubilai Khan (1215-1294), os russos descobrem a rudimentar receita, e a concede um formato peculiar, nomeando-a de "Steak Tartare" (Bife dos Tártaros). Todavia, foi nos arredores de Hamburgo na Alemanha do século XVIII, através dos marinheiros nativos que observaram a técnica de temperar carne bovina crua finamente picada, das tribos nômades da Europa Oriental e Ásia Ocidental, que a receita se aproximou do que conhecemos hoje.

O continente americano, especificamente os Estados Unidos vem conhecer a dita receita apenas no século XIX, com a chegada dos imigrantes alemães, que a renomearam de "Hamburg Steak" (Bife à moda Hamburguesa). Seu uso começou a ser difundido na última década de XIX, quando Louis Lassen, um norte-americano dono de uma lanchonete em Connecticut, passou a servi-lo entre duas fatias de pão, o que posteriormente resultou numa alternativa ao hot-dog durante os jogos de baseball nos EUA, sendo logo abraçado pelas grandes redes de fast food.

A introdução do hambúrguer no Brasil deve-se ao campeão americano de tênis, Robert Falkenburg, que abriu em 1952, em Copacabana, Rio de Janeiro, a primeira lanchonete nos padrões americanos de fast food, a BOB's. A novidade passou a fazer parte da crônica social do Rio e do Brasil, sendo frequentada por celebridades da época, como o compositor Villa Lobos, o músico de jazz Booker Pittman, entre outros.

É indiscutível que o hambúrguer se tornou o ícone alimentício das metrópoles, figurando em um clássico dos videogames, o Burgertime da empresa Data East, que fez fama nos anos 80 através de um antigo console brasileiro chamado Intellivision (comercializado pela Sharp), cuja inspiração teve origem numa saudosa máquina arcade da Bally Midway.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Filosofia de Pára-Choque

Você ficará surpreso em saber que as famigeradas frases dos pára-choques de caminhões, que ganham as estradas por este belo país, surgiu por intermédio de nossos vizinhos hermanos.

Segundo dados históricos, a mania vem de uma prática argentina inspirada no filateado, uma técnica de desenhos estilizados que ornamentavam as carroças no final do século 19. Com o passar dos anos a arte ganhou a parceria das criativas frases que conhecemos atualmente, que por fim migraram aos pára-choques de caminhões e ônibus em grande parte da América Latina.

No Brasil, a tradição iniciou-se nos anos 50, atingindo seu auge na década de 1980, mas infelizmente a irreverência cultural está perdendo campo para o aumento das frotas e por clientes que não vinculam seus produtos com caminhões contendo letreiros pouco ortodoxos. 

Vejamos agora 30 frases pitorescas que ainda circulam pelas estradas brasileiras (garanto que o frete não estaria completo sem elas):

01. “NO BARALHO DA VIDA SÓ ENCONTREI UMA DAMA

02. “80ÇÃO, 20VER. 100 VOCÊ NÃO SEI VIVER!

03. "AINDA SOU CRIANÇA, SÓ TROQUEI O BRINQUEDO"

04. "VOU REZAR 1/3 PARA ARRANJAR 1/2 DE TE LEVAR PARA 1/4"

05. "VOTE NAS PUTAS... PORQUE NOS FILHOS NÃO DEU CERTO"

06. "NA SUBIDA VOCÊ ME APERTA, NA DESCIDA NÓIS ACERTA"

07. "ENQUANTO NÃO ENCONTRO A MULHER CERTA ME DIVIRTO COM AS ERRADAS"

08. "NÓIS CAPOTA MAS NÃO BRECA"

09. "CRIANÇA E TAMANCO SÓ SE FAZ COM PAU DURO"

10. "BEBO PARA ESQUECER, SÓ NÃO ME LEMBRO DO QUÊ!"

11. "A CULPA É MINHA E EU COLOCO EM QUEM QUISER"

12. "A MULHER MANDOU ESCOLHER ENTRE ELA E O CAMINHÃO... SINTO FALTA DELA!"

13. "SE VOCÊ ESTIVER SEM CALCINHA, DÊ UMA RISADINHA"

14. "A MATA É VIRGEM PORQUE O VENTO É FRESCO"

15. "QUEM AMA AS ROSAS SUPORTA OS ESPINHOS"

16. "DEUS É JÓIA O RESTO E BIJUTERIA"

17. "NÃO É O TOURO QUE MATA O TOUREIRO, É O TOUREIRO QUE SE DEIXA MATAR"

18. "FELIZ FOI ADÃO, NÃO TEVE SOGRA E NEM CAMINHÃO"

19. "CRIANÇA NO BANCO DA FRENTE DÁ ACIDENTE, ACIDENTE NO BANCO DE TRÁS DA CRIANÇA"

20. "DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE. DÊ-ME O SEU E SEJA FELIZ"

21. "DINHEIRO E MULHER BONITA, SÓ VEJO NA MÃO DOS OUTROS"

22. "DIRIGIDO POR MIM, GUIADO POR DEUS"

23. "CASAMENTO COMEÇA EM MOTEL E TERMINA EM PENSÃO"

24."DUAS COISAS GOSTOSAS: UMA EMBREAGEM MACIA E UMA MULHER CARINHOSA"

25. "A CAL É VIRGEM PORQUE SÓ LIDA COM BROCHA"

26. "AMIZADE REMENDADA É IGUAL CAFÉ REQUENTADO"

27. "DIVÓRCIO É IGUAL ENGENHO, SÓ DEVOLVE O BAGAÇO"

28. "MINI-SAIA É QUE NEM CERCA DE ARAME: CERCA, MAS NÃO TIRA A VISTA"

29. "MULHER FEIA E FRETE BARATO, NÃO CARREGO!"

30. "NA SUBIDA DEUS ME AJUDA, NA DESCIDA DEUS ME ACUDA"

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bruce Lee Pintado a Golpes

Mais uma vez o americano Phil Hansen está de volta na Taverna do Peregrino, expondo seu talento em uma nova técnica inspirada no kung fu de Bruce Lee.

Para esta proeza o artista utilizará apenas a lateral das mãos, em um contínuo golpe "karateca" lambuzado por tinta.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Origem do Carnaval

O termo carnaval surgiu em meados do século XI e XII, derivado da expressão latina carne levare, que traduzindo, significa "abstenção da carne". O objetivo era designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia que no catolicismo se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal.

Contudo, historiadores afirmam que a origem do carnaval não está restrita à Europa, pois é possível encontrar festas e manifestações populares em diversos culturas, como a judaíca (purim) e babilônica (caecas).

No Brasil, o primeiro baile de carnaval foi realizado em solo carioca, precisamente no Hotel Itália em 22 de janeiro de 1841, já que os donos eram italianos e acostumados aos tradicionais bailes de máscaras.

Inicialmente a influência carnavalesca era europeia, mas foi apenas no começo do século XX que elementos africanos contribuíram para formar o que temos hoje.

O entrudo na gravura de Jean Baptiste Debret
Quem se aventurava a festejar nesse período, deveria estar preparado para o entrudo, um estilo de carnaval bem diferente do que vemos atualmente.

Pessoas guerreavam nas ruas, atirando água e farinha uma nas outras, além frutas podres e até urina.

Claro que com o passar do tempo as coisas evoluíram, os líquidos fétidos se transformaram em lança- perfume, e a farinha com as frutas podres deram lugar ao confete e a serpentina. O carnaval que era realizado na rua passou também para os bailes de renomados clubes esportivos, mas a folia que existia no passado aos poucos vem desaparecendo, concedendo espaço ao excesso de vaidade e a nudez de corpos voluptuosos, cuja beleza pré-moldada, foi concebida com muito whey protein, malhação e quase sempre no bisturi de cirurgiões plásticos.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Tatuagem: A Origem da Arte Corporal

Tatau Samoa
O termo tatuagem é derivado da palavra samoana "tatau", que significa "equilibrado" e "apropriado". A arte no corpo é tradição na cultura Samoa, utilizada como símbolo de maturidade masculina, um rito de passagem que define a chegada da fase adulta.

Quando uma tatau estiver incompleta, de antemão saberemos que o samoano desonrou uma cerimônia, tornando-se assim, desmerecedor da tatuagem em sua plenitude social.

As mulheres samoanas também desfrutam da tatau, que por sinal, é um desenho específico em forma de diamante localizado na parte de trás dos joelhos, denominado malu.

Atribuir a origem do termo a uma cultura aborígene, não torna o tema esgotado, já que arqueólogos encontraram inúmeras múmias tatuadas ao longo de décadas de exploração, provenientes do Antigo Egito, da América do Sul e da remota África. Mesmo na Europa, a arte da tatuagem era tradicionalmente vinculada aos rituais pagãos e às cerimônias sagradas, fato que se ratifica a uma descoberta de 1991, um corpo mumificado de um homem da Idade do Bronze (alcunhado de Ötzi), detentor de exatas 57 tatuagens, encontrado preservado no gelo dos Alpes Austríacos.

Tatau vista de frente
Na Roma Antiga, os legionários eram involuntariamente marcados com uma tatuagem no braço, a fim de definir seu comprometimento com o poderoso Império Romano, bem como evitar possíveis deserções.

Já na cultura tribal, a tatuagem representa a conexão com um determinado povo ou deidade, conforme vimos na cultura Samoa, algo bem diferente se relacionarmos aos clãs e as gangues, cujo objetivo é retratar a tatuagem como símbolo de submissão ou conquista marginal.

Dentre as famosas tatuagens marginais, encontra-se a caveira com asas, emblema do Hell's Angels; os três pontos em forma de pirâmide ou "mi vida loca", tradicional marca de gangues hispânicas; a rosa dos ventos, típica identificação da máfia russa (Vor V Zakone); e a suástica, símbolo do White Pride (Orgulho Branco) ou de movimentos neonazistas.

Na cultura Maori a tatuagem ou "ta moko" vem designar posição social e hereditariedade: linhas e espirais do lado esquerdo do rosto estão relacionados à linhagem do pai, enquanto, símbolos do lado direito vinculam-se a linhagem da mãe.

A carpa (koi) simboliza determinação em superar obstáculos
Para alguns povos, a tatuagem funciona como um totem de proteção e cura, algo que poderemos ver entre esquimós, sudaneses e pescadores da Melanésia.

Quem diria que uma marca tão marginalizada, cultuada por piratas, bucaneiros, mafiosos, presidiários e sociedades supostamente "primitivas", tornar-se-ia um ícone do mundo contemporâneo, redefinindo conceitos e derrubando velhos tabus. Em poucos anos, nem mesmo o credo será barreira para as tatuagens.
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