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"Sem comer e sem beber ninguém se cobre de glória" (provérbio viking).

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terça-feira, 5 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte III

Kabbalah: Altamente fundamentada na numerologia
Para os astecas o número nove representava os estágios para se alcançar a plenitude da alma, geralmente figurado pela imagem de um templo com nove andares.

Como todos já sabem, tal expressão numérica se reflete no tempo de gestação humana, mas também vem com o simbolismo de ser o poder triplo do três, como as tríades das nove ordens de anjos.

Na cultura chinesa o número nove representa sorte, uma vez que é a quantia de esferas celestiais. Já para os nativos norte-americanos o nove se traduz na lua, mudanças e movimento.

Distante das salas de aula, o numero dez é pouco mencionado, contudo, sua maior visibilidade se deu com a representação do poder divino e seus ditames celestiais na cultura judaico-cristã, Os Dez Mandamentos de Deus. Para os nativos norte-americanos tal número representa o intelecto. Aquém desta escopo espiritual, a iconografia do número dez vem figurar no número de mandamentos dos escoteiros e dos ensinamentos de Maquiavel.

O número doze é sem dúvida intrigante, pois represente a realização universal, o número das tribos de Israel, o número de discípulos de Cristo, o número de frutos da Árvore da Vida, os Doze Trabalhos de Hércules (Herácles), e o número de constelações ou signos do Zodíaco.

Não podemos nos esquecer que o doze é o número de meses do ano, algo que representa o ciclo cronológico completo, mas também pode nos deixar um pouco aterrorizados, já que 2012 pode ser o fim da humanidade segundo o calendário maia.


Em regra geral o treze não é visto com bons olhos, pois é associado como um número de azar, seja pelo número de participantes da Última Ceia (um deles era o traidor Judas Escariotes), pela data da perseguição dos Cavaleiros Templários (sexta-feira, 13 de outubro de 1307) ou pelos treze espíritos do mal segundo a Kabbalah. Na Grécia Antiga o número treze representava a décima terceira deidade ou simplesmente Zeus. Trata-se também do número mais importante na antiga astronomia mexicana, bem como representa a figura da Mulher Formosa para os nativos norte-americanos.

Espero que tenham gostado desta matéria dividida em três postagens, acredito que por mais que conheçamos muitas coisas, sempre há espaço para se aprender mais. Crendices ou não, devemos respeitar a numerologia, pois não se pode negar que está inserida em quase tudo que vemos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte II

Difusor do pentagrama: O ocultista inglês Aleister Crowley
Macrologicamente falando, não se pode negar a vasta influência da numerologia na cultura humana, seja cético ou devoto religioso, há qualquer momento você poderá ser envolvido por ela. Exemplificando isto, vemos o universo artístico e o campo publicitário como grandes fomentadores da mítica dos números, mesmo que algumas vezes com adereços subliminares, buscam sucesso através de combinações favoráveis.

A partir do número cinco o misticismo da numerologia começa a ganhar proporções ainda maiores, já que a quinta posição numérica representa as cinco dimensões do universo, o emblema da realeza maçônica, a deusa assíria Ishtar, a deusa grega Vênus, além de formar o maior símbolo do ocultismo e da crença Wicca, o pentagrama (ou a Estrela de Cinco Pontas). Nas culturas hindu e chinesa, tal ícone vem representar os cinco elementos da natureza (água, fogo, terra, ar e o espaço celeste). Para Pitágoras o cinco é o número da humanidade, uma vez que exprime o corpo humano com seus quatro membros e cabeça (cinco dedos), além dos cinco sentidos (tato, audição, olfato, visão e paladar). No entretenimento o número cinco definiu Os Irmãos Marx (Groucho, Gummo, Harpo, Chico e Zeppo) e os companheiros felinos do Manda-Chuva (Xuxu, Bacana, Batatinha, Espeto e Gênio).


O número seis pode ser demasiadamente controverso em significado, pois, tanto pode ser representado pela harmônica Estrela de Davi (Estrela de Seis Pontas ou Hexágono) como pode ser associado ao número da besta no Livro de Apocalipse, o infame 666. Para os chineses a expressão numérica vem definir o poder celestial e a longevidade, mas entre os nativos norte-americanos está relacionado aos ancestrais. Já a crença budista revela que o universo está cartografado em seis reinos de existência, enquanto a parapsicologia cita a existência de um sexto sentido.

O sete é disparado o número com maior significado místico e divino, não só por ser considerado a representação numérica de Deus, mas também pelas seguintes iconografias: Os sete pecados capitais,  as sete virtudes celestiais, os sete principais chakras do corpo humano, os setes planetas da antiguidade (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno), os sete galhos da árvore cósmica xamânica, os sete céus e os sete infernos do islamismo, os sete sábios da Grécia Antiga (Sólon, Pítaco, Quílon, Tales de Mileto, Cleóbulo, Bias e Periandro), os sete deuses de luz e os sete deuses das trevas do Egito Antigo, as sete cores do arco-íris, o Ano-Novo judaico começa no sétimo mês, e por quantas vezes devemos perdoar o próximo no Novo Testamento (70x7).

O oito quase converge para um significado comum entre crenças e filosofias, pois é o número do equilíbrio cósmico e consequentemente da causa e efeito. A quantidade de aros que formam a roda da vida (dharmachakra) no budismo e as pétalas da flor de lótus, ambas codificadas pelo número oito, mostram os caminhos para perfeição espiritual. Vale lembrar que na crença hindu a deidade Vishnu possui oito braços que correspondem aos oito guardiões do espaço, enquanto o número oito deitado representa o infinito. Há ainda a estrela de oito pontas (a Estrela de Ishtar), utilizada como guia entre babilônicos e fenícios.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O Simbolismo dos Números: Parte I


A Estrela de Davi ou Estrela de Seis Pontas: Emblema do judaísmo

Gerar argumentos acerca da simbologia dos números na sociedade humana é de longe uma tarefa complexa, que exigiria linhas e mais linhas, sem previsão de esgotamento do tema em questão.

Os números não são meramente uma iconografia para a matemática ou geometria, pois estão intrinsecamente ligados com princípios cósmicos e religiosos, ditando ordem a um universo aparentemente dominado pelo caos.

Pitágoras (569-475 a.C.) já dizia que os números governam todas as coisas, algo que pode ser ratificado com a ciência moderna, contudo, não obstante, há a numerologia dos antepassados, regada a muito misticismo e com possíveis explicações para nossas indagações filosóficas.

Bom, se você já leu esta singela introdução, com certeza ficou na expectativa pela associação cultural dos principais números da história humana (de zero a treze), todavia, para a matéria não ficar excessivamente morosa e longa, a dividirei em três postagens.

O zero representa o número neófito na geometria, já que nem no Antigo Egito havia hieróglifo correspondente.

Para os babilônicos, o zero era o espaço em branco no infinito onde todas as coisas se formavam ou retornavam, um conceito similar a cultura maia, simbolizado pela espiral, que se traduzia na vida uterina.

O número zero pode ser atribuído a potencialidade completa, bem como ao fracasso absoluto.


Para Pitágoras, o número um representava o princípio masculino, possivelmente por aparentar um falo ereto, uma relação um pouco divergente das crenças monoteístas, que atribuíam a imagem de Deus ao símbolo.

Em regra geral, na sociedade humana, o número um vem classificar a importância de um individuo, seja como primogênito ou como campeão de uma competição. Trata-se também do ícone da unificação, que se traduz em juntar forças para um interesse em comum: "Sejamos um nessa empreitada" ou "Um por todos e todos por um".

O símbolo da dualidade entre bem e mal, bom e ruim, herói e vilão, luz e trevas, homem e mulher, espírito e matéria, criador e criatura, falso e verdadeiro, beleza e feiura, amor e ódio, ordem e caos.

O número dois é sem dúvida o alicerce de toda a numerologia chinesa, já que na crença taoísta, o “yin e yang” representa a polaridade que orquestra o universo.

Segundo Pitágoras tal número vem representar o princípio feminino.

Quando se menciona o número três, em primeiro momento nossa mente nos traz a imagem dos Três Reis Magos, dos Três Mosqueteiros, dos Três Porquinhos ou dos Três Patetas, entretanto, tal símbolo, representa muito mais que tudo isso, pois expressa os aspectos da vida, como: passado, presente e futuro; mente, corpo e alma; nascimento, vida e morte; e as três formas de amar no grego (eros, filéo e ágape). Na crença judaico-cristã o número três representa a santíssima trindade (Elohim): Deus-Pai, Deus-Filho e Espírito Santo. Obviamente a forma do triângulo está conectada ao número três.

O número quatro é abundante em ícones, tendo como principais os pontos cardinais, as fases da lua, os elementos da natureza, as estações do ano, o quadrado, a base piramidal e a cruz.

No cristianismo o número quatro revela um presságio punitivo com os Quatro Cavaleiros do Apocalipse (Peste, Guerra, Fome e Morte).

Para o Islamismo tal número está relacionado a matéria, enquanto para os nativos norte-americanos representa a harmonia.



Aguardem a próxima postagem, pois mostrarei alguns significados para os números cinco, seis, sete e oito.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Anjos: Seres Celestiais ou Emissários do Futuro?

Arcanjo Miguel por Hans Holbein
Muitas crenças descrevem os anjos como seres fascinantes, dotados de poderes divinos e com uma existência que se interpõem entre o plano celestial e o plano mortal.

O anjo possui uma natureza submissa a D-us, o que vem relevar sua maior qualidade, a portabilidade da luz, cujo simbolismo se traduz no bem e na verdade sobre todas as coisas (Salmos 103:20).

O reino das sombras com seus temíveis habitantes, os demônios (daimons, na mitologia grega), representam a antítese das entidades santificadas, bem como a rebeldia a ordem estabelecida pelo Criador.

Segundo alguns teóricos, a ideia de anjos e demônios como incorporações do bem e do mal, vem da interação entre o Judaísmo e o Zoroastrismo Persa.

Os zoroastrianos previam a chegada de uma grande batalha entre duas deidades: Ahura Mazda, o “sábio senhor” e deus da luz, e Angra Mainyu (ou Ahriman), o “espírito mal” e deus da escuridão. Já no Judaísmo, o embate é visto de maneira diferente, considerando que a religião é restritamente monoteísta.

Para a crença hindu, os dakini (caminhadores do céu) são o equivalente indiano dos anjos, enquanto no Budismo Tibetano, o chamado deva-loka é equipolente ao anjo cristão.

A Anunciação por Antônio Crivelli
Biblicamente, a figura do anjo é descrita como um ente de corpo glorificado, que tanto pode ser físico como espiritual.

Tal conceito surgiu no século XII, momento em que a Igreja Católica Apostólica Romana afirmou que os anjos, assim como os demônios (anjos caídos), tinham corpos etéreos (Hebreus 1:13-14), mas que também eram providos de matéria palpável (Gênesis 18:1-8). Antes disto, os primeiros cristãos viam os demônios como seres feitos de vapor, portanto, ausentes de corpos físicos.

O próprio Diabo (derivado da palavra grega diabolos, que significa difamador), outrora chamado de Lúcifer (aquele que porta a luz), fora o mais belo e importante anjo de D-us, que por vaidade, perdeu a principal patente de querubim do Reino Celestial (Ezequiel 28:12-15).

A primeira esquematização de uma hierarquia angelical surgiu na Idade Média, quando teólogos as classificaram em três distintas esferas, sendo:

  • Conselheiros Celestiais: A primeira ordem, destinada a patente mais acessível a D-us, uma casta que inclui os serafins, os querubins e os tronos.
  • Governadores Celestiais: A segunda ordem, voltada aos domínios, virtudes e poderes.
  • Mensageiros Celestiais: A terceira e mais baixa ordem, estabelecida para os principados, arcanjos e anjos.

A Visão de Ezequiel por Raffaello Sanzio
Neste exército imortal (I Reis 22:19 e Lucas 20:35-36), formado por seres com poder de rasgar os ares velozmente (Daniel 9:21), encontram-se os agentes que executam o desejo criativo de D-us, alguns com nomes conhecidos, como Gabriel (anunciador da vinda de Jesus Cristo), Miguel (o arcanjo guerreiro que enfrentará Satanás), Uriel, Khamel, Rafael e Tzadkiel.

Para os adeptos da Teoria dos Astronautas do Passado, os anjos nada mais são que seres extraterrestres altamente evoluídos em tecnologia e sabedoria cósmica, oriundos de uma raça com aparência similar a nossa, mas que também podem se apresentar na forma humanoide.

Possivelmente, emissários vanguardistas, vindos de um futuro aquém da compreensão humana, observando o homem a fim de aprimorá-lo, para obter um resultado semelhante a eles. E por falar em seres inexplicáveis inseridos em nossa cultura, será que a obra "A Anunciação" (1486 d.C.) de Antônio Crivelli, vem realmente retratar a imagem do Espírito Santo nos céus, como um discóide voador de origem extraterrena?

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Cozinha Afrodisíaca

A palavra "afrodisíaco" não poderia ter outra origem senão na deidade grega Afrodite, a divindade do amor e do sexo. O termo é oriundo de aphrodisiakós, que significa "restaurar as forças geradoras" ou "excitar os apetites carnais".

De Atenas a Corinto, as festas dedicadas à Afrodite eram denominadas "afrodisíacas", e tinham como símbolos: o golfinho, o pombo, a romã, a murta e a limeira. Intrinsecamente ligado a palavra, encontra-se a Cozinha Afrodisíaca, um vasto receituário multicultural composto por pratos com ingredientes que supostamente estimulam o apetite sexual.

O aspecto estético, algumas vezes lembrando um órgão sexual, contribui para a nomeação de um determinado alimento, prova disto é o abacate, chamado de ahuacatl pelos astecas, que significa "testículo".

A farmacossexologia classifica as substâncias afrodisíacas em três categorias: substâncias com alto valor nutricional; substâncias com algum efeito fisiológico; e substâncias psicofarmacológicas (transpassam a barreira entre a circulação sanguínea do corpo e do cérebro). 

Segundo a crença hindu, o elixir "preservativo da vida", bebericado antes do Kama Sutra, era composto por ghee (manteiga clarificada), açúcar mascavo, mel, licorice, erva-doce e leite.

Na sociedade contemporânea o tema tornou-se controverso, pois, muitos profissionais em diferentes áreas de atuação acreditam que a questão é mais antropológica e mitológica, do que gastronômica ou científica, contudo, alimentos como o alcaçuz, o almíscar, a alcachofra, o açafrão, o cravo-da-índia, o aspargo, a ostra, o amendoim, a noz-moscada, o anis, a canela, o abacate, a banana, o cardamomo, a catuaba, o chocolate, o figo, o pó de guaraná, o gengibre, o ginseng, o jasmim, as pimentas, o manjericão, os mariscos, o morango e o ovo de codorna, permeiam no imaginário dos amantes, e sendo assim, vale à pena nos deliciarmos com eles, desde que animais indefesos não paguem o preço por um capricho relativamente cultural e egoísta.

E quando me refiro a capricho, quero estabelecer um limite entre o que é sensato e o que é extravagância, haja vista que algumas iguarias consideradas exóticas, causam extermínio desnecessário de certos animais.

Diga não ao consumo da barbatana de tubarão, dos chifres de rinoceronte, das pestanas de elefante, dos testículos de tigre e do pênis da foca.

Todavia, se os impotentes de plantão quiserem ingerir urina cristalizada de lince ou moscas espanholas (cantárida), vou apoiar com gosto.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Dança do Ventre

A Dança do Ventre (também conhecido como Belly Dance, Danse du Ventre, Danza del Vientre ou Raks El Sharqi) é somente uma das muitas danças praticadas no Oriente Médio e no Norte da África. Tradicionalmente é um gênero improvisado e espontâneo, guiado por uma música árabe, ritmada ao som de derbakke (ou tabla), mizmar (popular flauta do baladi), al-‘ud (alaúde), daff (ou riq), violino e snujs. A dança consiste em movimentos fluidos de braço e mão, bem como shimmies (tremidos) e movimentos isolados de ombros, pélvis, cabeça e abdômen.

Segundo a vasta experiência da dançarina paulistana Vivi Al Fatna, a Dança do Ventre pode ser definida em seis movimentos primordiais: ondulações, batidas laterais, shimmies (também grafado ximis), oitos, giros e redondos.

A clássica diva da Dança do Ventre, complementou sua síntese, mencionando que a famosa dança do oriente, pode ser enriquecida com alguns acessórios que vão além das roupas ornamentadas, sendo estes: o véu (um delicado lenço colorido que mede entre 1m20cm a 2 metros de comprimento); os snujs (címbalos de metal, parecidos com castanholas); os bastões (bengalas de bambu ou plástico, utilizadas em danças folclóricas árabes, como o said); a espada (a representação da cimitarra árabe, oriunda da dança do deserto, praticada por beduínas à beira de fogueiras); o candelabro (típico acessório feminino utilizado em aniversários e bodas); o leque-véu (também chamado de fan veil, transmite a ideia de labaredas de fogo quando manuseado por profissionais); o pandeiro (instrumento folclórico de influência cigana); e as taças com vela (proveniente dos antigos haréns).

Quando um leigo pensa em Dança do Ventre é normal surgir à mente a famigerada Dança dos Setes Véus, mas o que poucos sabem, é que se trata uma alegoria do século 20, criada pelo saudoso Oscar Wilde na direção de palco de sua enigmática peça "Salomé" (1894), uma idealização teatral que ganhou aclamação popular entre 1905 e 1918. Posteriormente, houve a degeneração ocidental no conceito da Dança do Ventre, graças à deturpação erótica promovida pelo movimento burlesco, que tratou de incutir a imagem do strip-tease na dançarina oriental. Há ainda outro elemento atípico, que de igual modo trouxe conotação sexual e ao mesmo tempo ritualística à Dança do Ventre, uma vertente inspirada nas deusas mitológicas Isis (Egito) e Nidaba (Suméria), denominada Dança com a Serpente.

A Dança do Ventre pode ser exibida tanto por mulheres como por homens, considerando que o gênero masculino recria apenas uma variação performática, já que a dança original está intrinsecamente ligada à anatomia feminina, bem como a fertilidade procedente do Nilo e das deidades egípcias.

Segundo informações contidas no livro "Belly Dance: Orientalism, Transnationalism & Harem Fantasy" dos escritores Anthony Shay e Barbara Sellers-Young, no Egito do século 19, a palavra "khawal" era utilizada para dar nome ao dançarino egípcio, contudo, hoje, o vocábulo também faz referência ao indivíduo que assume o papel “passivo” numa relação homoafetiva. Já no Irã, a figura do dançarino masculino recebe o nome de “raqas-basi”, um termo que é igualmente usado como expressão homofóbica, pois, desde a infância as crianças são orientadas a agirem corretamente, caso contrário, terão má reputação tal qual um “raqas“ (uma moderna abreviação do termo). Distante dos preconceitos e da representação masculina na Dança do Ventre, o homem também poderá exercer a posição de condutor de uma dançarina oriental, desde que para isto, estenda seus braços, delineando um círculo de proteção enquanto ela dança, mas sem tocá-la.

O espaço de dança é usualmente definido por um anel de pessoas sentadas ou em pé, formado por familiares, amigos, convidados de uma celebração, clientes de uma casa noturna (nightclubs) ou turistas de um cabaré egípcio.

Se você está buscando aprofundamento no tema, não deixe de assistir algumas preciosidades cinematográficas, como: “Khalli balk min Zuzu” (1972) e “Ahl al-Hawa” (1955) com Tahia Kariyuka (Tahia Carioca); “Ma-tqulsh il-hadd” (1952), “Habib al-umr” (1947) e “Ahibbak inta” (1949) com Samiya Gamal; e “Tamar Hinnah” (1957) com Naimah Akif.

Bom, espero que tenham gostado deste modesto panorama sobre a envolvente e misteriosa Dança do Ventre. Deixo meus agradecimentos à bela Vivi Al Fatna (a qual ilustra as fotos deste artigo), cuja experiência e sabedoria, tornaram-se essenciais para condensar uma história milenar em um microcosmo de conhecimento.

Para quem procura autênticas músicas de Dança do Ventre, há uma playlist bem interessante aqui no blog: http://tavernadoperegrino.blogspot.com/2011/05/playlist-danca-do-ventre-nas-mil-e-uma.html

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

A Dádiva do Perdão: Gênesis 45:7-8

José no Egíto, obra de Jacopo Pontormo (1517)
Ao meditar sobre o divino caráter do perdão, Luiz Dinnouti, um querido amigo e irmão em Cristo, lucubrou o excelente texto que nos enriquecerá logo abaixo.

A mensagem tem fundamento em uma passagem bíblica bem conhecida, na qual José revela sua real identidade para seus irmãos, que num remoto passado, o venderam para mercadores de escravos. Vejamos agora o texto sagrado a ser explorado, e, em seguida, os reveladores comentários que prometem ser luz para este ano de incertezas.

"Deus enviou-me adiante de vós, para conservar-vos descendência na terra, e para guardar-vos em vida por um grande livramento. Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como governador sobre toda a terra do Egito." (Gênesis 45:7-8)

Considerando tudo o que José sofreu; a escravidão, a traição, a falsa acusação, a prisão e momentos de saudades de sua mãe e de seu pai e de seu lar, seria lógico pensar que esta seria a hora da vingança. Era a hora de tripudiar sobre a sorte daqueles que foram cruéis e injustos para ele.

Entretanto a atitude de José surpreende e demonstra um grau de maturidade espiritual que somente alcançam aqueles que, tendo passado por momentos de sofrimento, souberam aproveitar as lições que tais circunstâncias lhe proporcionaram para entender o sentido da vida sob uma perspectiva mais ampla, entendendo que há um proposito maior em tudo o que acontece, que nada pode ser analisado isoladamente, mas tudo na vida faz parte de um intrincado quebra cabeças, onde cada momento, cada pessoa, representa uma peça que, ao ser encaixada às demais, resulta no quadro maior da realidade da vida.

Portanto o que somos e vivemos hoje é o resultado de ações, atitudes, pensamentos e escolhas, nossas próprias e de outras pessoas no passado.

Tudo o que nos aconteceu no passado serviu de alguma forma para configurar o momento atual e produzir a pessoa que somos hoje. Sem termos passado por todas as situações que experimentamos, tenham sido estas felizes ou infelizes, não seriamos o que somos hoje.

Cada momento imprimiu em nossa alma, mente e espirito registros que influenciaram e moldaram nosso modo de ver o mundo, nosso comportamento e a maneira como vamos nos preparar para o futuro. Pensando desta forma, não há lugar para arrependimentos, remorsos e culpas, pois nada pode ser mudado de tudo o que aconteceu.

O sentimento de culpa, de vingança, de remorso somente interferem negativamente e diminuem o potencial humano de transformar realidades e o rumo do futuro. Se o passado não pode ser mudado, como devemos viver o presente e preparar o futuro?

Quanto ao presente, vivamo-lo com alegria, com amor, aproveitando a oportunidade de aprendizado, com sentimentos positivos, sendo otimistas e acreditando no principio maior da semeadura e colheita, pois tudo o que plantamos, nós colhemos. Se semearmos o bem colheremos o bem.

Com esta perspectiva em mente, José pôde dizer: “Não foste vós.” Há nessa expressão um perdão explicito e sincero, porque José entendera que tudo quanto lhe aconteceu teve um propósito e isto estava claro para ele naquele momento.

Ele fora enviado para o livramento de sua familia, dos seus irmãos e todos os que viviam com eles – 70 almas, é o que diz a Bíblia. A forma como José reagiu a cada situação de sofrimento o preparou para torná-lo naquilo que ele se tornou: um grande lider, capaz de ser uma benção para muitas pessoas, fazendo sua parte no grande plano da vida.

Nada do que nos acontece é essencialmente bom ou ruim, e mesmo as circunstancias mais adversas servem para nos preparar, para que cresçamos espiritualmente e auxiliemos outros a também evoluirem. Mas lembrem-se: o mesmo sol que endurece a lama, derrete a cera. A forma como reagimos às circunstancias da vida vai determinar as consequências sobre nosso crescimento espiritual. Uns caem e são derrotados. Outros se levantam e seguem mais fortes ainda.

CONCLUSÃO
Bodas de Caná, obra de Veronese (1563)
Que assim como José, nós sejamos capazes de superar as lembranças tristes do passado, as culpas , remorsos e desejos de vingança e possamos entender o propósito de D’us o Eterno para o presente momento, que é vivermos de tal maneira que sejamos uma benção para todos os que nos rodeiam, pois para isso passamos por todas as experiencias que a vida nos proporcionou, para que pudessemos ser capazes de ajudar nossos irmãos na grande caminhada da vida. Que o resto da nossa vida seja a parte mais importante e mais feliz dela, e tal como o vinho servido nas bodas de Caná por Jesus, o melhor esteja reservado para o final da festa.

Que D’us o Eterno os abençoe, e que as Palavras do Livro Santo sejam luz e lâmpada para os vossos pés, no intrincado caminho da vida.

Luiz Dinnouti

domingo, 18 de dezembro de 2011

Noite Feliz

Capela Stille Nacht em Oberndorf
A canção mais icônica do Natal nasceu na Áustria, em 1818. A história da composição teve inicio com uma invasão de ratos na Igreja de São Nicolau em Arnsdorf, na qual os hospedes indesejáveis, roeram os foles do único órgão sacerdotal ali presente.

Temeroso com a possibilidade de uma noite natalina sem louvores, um padre chamado Joseph Mohr tratou logo de sair em busca de um novo instrumento para substituir o antigo.

Durante a procura, a cabeça do pároco foi tomada por ideias iluminadas, que renderam na famosa letra "Noite Feliz" (Stille Nacht). Joseph anotou a sublime revelação e procurou o músico Franz Gruber para que a transfigurasse em melodia.

O título em português ficou um pouco diferente do original, contudo, em inglês, a tradução é exatamente igual: "Silent Night".

Noite Feliz (Joseph Mohr/Franz Gruber)

Noite feliz, noite feliz
Ó senhor, Deus de amor
Pobrezinho nasceu em Belém
Eis na lapa Jesus, nosso bem
Dorme em paz, ó Jesus
Dorme em paz, ó Jesus


Noite feliz, noite feliz
Ó Jesus, Deus da luz
Quão afável é teu coração
Que quiseste nascer nosso irmão
E a nós todos salvar
E a nós todos salvar


Noite feliz, noite feliz
Eis que no ar vem cantar
Aos pastores, seus anjos no céu
Anunciando a chegada de Deus
De Jesus salvador
De Jesus salvador

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

São Francisco de Assis: Do Presépio a Missa do Galo

Cristãos ou não cristãos, sabem que São Francisco de Assis é o padroeiro dos animais, contudo, seus feitos para o cristianismo vão muito além desta qualificação, já que ele foi o criador da tradicional Missa do Galo, um ato religioso realizado na madrugada do dia 25 de dezembro, o Dia do Natal.

A história também diz que o santo foi o idealizador por trás do primeiro presépio, construído com o objetivo de trazer à memória dos fiéis, o rústico ambiente em que Jesus nascera.

Tanto o rito como o símbolo, começou na cidade italiana de Greccio, em 25 de dezembro de 1224.

No badalar do sino à meia noite, o conceituado frade católico exibiu sua representação da sagrada manjedoura, seguido por uma missa que completou a solenidade.

Como os galos cantavam habitualmente às primeiras horas da madrugada, o povo deu a essa celebração o nome de Missa do Galo.

Particularmente, considero o presépio como o mais belo ícone do cristianismo, algo que realmente representa a esperança num mundo de desordem e egoísmo.

E saber que o legado de São Francisco de Assis gerou até uma versão em brinquedo do velho presépio, o Playmobil Christmas. Apesar de ser exclusivamente criado para fomentar o comércio, pelo menos as crianças aprendem algo construtivo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Halloween: O Dia das Bruxas

O Dia das Bruxas é como nós brasileiros denominamos a famosa celebração anglo-saxã, nascida de uma lenda druida, oriunda do povo celta que habitava a Inglaterra por volta do ano 200 a.C.

Reza a tradição, que na noite de 31 de outubro (data do Samhain ou Festival da Colheita), todas as bruxas, demônios e espíritos se reúnem para uma grande festa. 

Como podemos perceber em mais uma data comemorativa, o real sentido e motivação foram perdendo espaço com o tempo, e o medo que o Dia das Bruxas causava foi sendo esquecido, o que a transformou em uma grande folia para a garotada e muitos adultos.

All hallow's eve witch
Nos Estados Unidos a comemoração é chamada de Halloween (antigo All Hallow's Eve), e como manda o costume, muitos americanos se vestem com fantasias de monstros (alienígenas, vampiros, fantasmas, bruxas, lobisomens, zumbis, etc.) e decoram suas casas com objetos temáticos, que vão de teias de aranha a rostos esculpidos em abóboras, chamados de Jack O’Lantern, que por sinal é a mascote da referida data pagã. 

Para arrecadar deliciosas guloseimas, crianças batem de porta em porta recitando a frase que se repete ao longo da noite: “Tricks or treats” (Travessuras ou gostosuras), uma tradição norte-americana com menos de 80 anos de idade. Desde a década de 1990 a festa vem se popularizando no Brasil, incentivada inicialmente pelas escolas de inglês e empresas multinacionais.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O Dia 29 e o Nhoque da Sorte

Nhoque ao molho sugo: o pecado da gula
O nhoque (gnocchi em italiano) é a tradicional pasta da prosperidade financeira, na qual reza a crença popular, que consumi-la no dia 29 de cada mês, com uma nota de dinheiro debaixo do prato, atrairá fortuna.

Segundo a lenda, o andarilho São Bartolomeu pediu alimentação à família de uma humilde casa italiana.

Apesar da desconfiança, o  santo errante foi acolhido com uma modesta porção de nhoque, do pouco que existia naquele lar.

Por estar faminto, São Bartolomeu comeu em pé rapidamente e em seguida agradeceu a hospitalidade com uma benção especial: "A partir de hoje, esta data marca um dia de fortúnios; em todos os dias 29 de cada mês, quem comer nhoquedeve antes ficar em pé e formular um desejo; depois da refeição, seu desejo será realizado". De imediato a família não deu importância ao vaticínio, mas quando a matriarca foi desfazer a mesa do jantar, encontrou moedas de ouro debaixo de cada prato.

No Brasil, com a constante desvalorização da moeda nacional, tornou-se hábito em restaurantes italianos utilizar o Dólar ou Euro, mas acredito que a  economia logo mostrará que o Real será um bom negócio para as crendices.

A origem do nhoque é incerta, sabe-se que surgiu na Itália, provavelmente em Piemonte, devido ao clima frio da região e a grande utilização da manteiga e derivados do leite. Acredita-se que palavra gnocchi é oriunda do termo nocchio (é daí que vem o nome Pinocchio), que significa "nó na madeira", ou eventualmente de nocca, que se traduz como "junta". 

A massa é geralmente preparada à base de batatas cozidas, farinha de trigo, manteiga e ovos, todavia, há ainda receitas que utilizam a semolina de trigo e a polenta. Depois de sovada, enrola-se a massa formando pequenos cilindros, para então, serem cortadas no formato de travesseirinhos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A Cozinha Kasher

A celebração do Rosh Hashaná (o Ano Novo judaíco)
A cozinha kasher ou kosher é composta por receitas preparadas segundo os preceitos da crença judaica que remonta uma tradição de 5 mil anos. A rigorosa dieta do povo judeu restringe certos tipos de alimentos, que são denominados trefá, como carne suína, peixes de couro, camarões, mariscos, ostras, caranguejos, lagostas e ovos com mancha de sangue. 

A combinação entre diversas iguarias em uma única refeição (não é permitido comer carnes com laticínios), a forma de preparo do alimento e a limpeza da louça, também devem seguir as normas impostas pela Torá e pelo Talmud, sob a supervisão minuciosa de um sacerdote (o rabino), para enfim receber o selo kasher (em hebraico, significa “puro” ou “próprio”).

Vinho & Matzoh: Fundamentais para o Pessach 
Durante o Pessach (a Páscoa judaíca) a restrinção torna-se ainda mais criteriosa, já que qualquer alimento chametz é proíbido, isto é, iguarias que contenham como ingrediente grãos de trigo, centeio, cevada, aveia ou espelta (os quais estão sujeitos a um processo de fermentação quando em contato com a água).

"Comereis pão sem fermento (matzá ou matzoh) durante sete dias. Logo ao primeiro dia tirareis de vossas casas o fermento, pois quem comer pão fermentado (chametz), desde o primeiro dia até o sétimo, será cortado da assembléia de Israel" (Êxodo 12:15)

Contudo, para os judeus asquenazim (judeus ocidentais) a definição da palavra chametz vai além do que citei, outros grãos, como o arroz, o feijão, o milho, as ervilhas e as lentilhas também são vetados na referida festividade.

Há ainda a preocupação quanto à prevenção de determinados tipos de doenças relacionadas com a alimentação, neste quesito as regras são determinadas pelo Código da Lei Judaíca, o Schulchan Aruch.
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